Sobre a arquitetura stalinista de Leipzig e o seu presente comunista, há algo que eu talvez não consiga descolar do pano de fundo ideológico, mas que comentarei assim mesmo.
Com toda aquela estória de que a ditadura e os comunistas procuram traduzir a ideia de igualdade também por meio do cotidiano, e não apenas pelas condições econômicas, eles teriam construído horríveis conjuntos habitacionais nos quais a individualidade das pessoas desapareceria frente ao coletivo. Por isso as moradias seriam todas iguais.
É claro que isso levou à formação de áreas monótonas na cidade, em que, possivelmente, aqueles que ocupam estas moradias efetivamente sintam-se como membros do número de habitantes de um tal prédio, e não como proprietários de uma moradia que expresse a sua personalidade.
O problema, como sempre tem sido, é a passagem para um sistema capitalista que, em sua avidez para ocupar os espaços aos quais não havia chegado antes faz com que tudo o que fosse cinzento e homogêneo desmanche-se numa nuvem de neon. Aqui se trata do neon das luzes de mercados, galerias e lojas de marcas internacionais que transformam o centro histórico da cidade em um shopping center a céu aberto, com faixas de cadeias de fast food, roupas, móveis e jóias penduradas em construções de séculos de idade.
Como, porém, não só os humanos envelhecem, estas construções são, em sua maioria, escurecidas pela chuva, neve, poeira e tudo o mais, o que marca um contraste ainda mais estranho com o carnaval kitsch promovido pelo comércio. Mais que isso, o bombardeamento promovido por estas empresas acaba por reproduzir a mesma lógica de negação da individualidade, já que as promoções não são feitas visando públicos específicos, mas tudo é para todos, ainda que isto seja uma constatação que não precisa ser feita no mundo pós-comunista.
Neste clima, no entanto, olhar novamente para os prédios comunistas acaba revelando que, passados alguns anos, se há algo de acolhedor por aqui, talvez esteja justamente ali.


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