Sussurar, cochichar e fazer piadas entre amigos durante as aulas sempre foi um motivo de orgulho - pelo menos desde a época em que o orgulho poderia referir-se a algo que não me envergonhasse. Isto porque era um sinal duplo: por um lado era o sinal de que nenhuma hierarquia, como a do professor, era sagrada; por outro lado, era o símbolo de que com um bom uso da língua e da comunicação os melhores efeitos poderiam ser alcançados.
Este último ponto é tanto mais importante quando se tem orgulho da maneira de falar sua língua. E, me desculpando por insistir no tema, a relação que tenho como português não é, por ora - e talvez nunca seja -, a mesma que se pode ter com outras línguas quando se fala por meio de códigos e sinais. De modo direto, quando as variações da língua, as gírias, são usadas, é difícil sentir-se tão à vontade com outra língua, já que as expressões mesmas são diferentes. Ou alguém acha que falar para um inglês que você está "taking wave out" (tirando onda) é a mesma coisa que no português?
Daí que, numa classe com pessoas que falam a mesma língua, a sensação de abandono é enorme, especialmente para um sujeito arrogante e orgulhoso, naquele sentido do uso que consegue fazer do português. Mais que o abandono, a sensação de desamparo e incompetência, é enorme. Tanto maior quando os colegas de sala parecem ser exatamente aquilo que os antigos colegas eram, pessoas capazes de, com uma palavra, um comentário ou uma referência, indicar o tema para minutos de risadas. De novo colocando em termos bem simples, o idioma é o limite da piada interna.
Quando as pessoas têm dificuldades para dar o sentido a esta piada, o limite da língua é ainda mais claro.
E quando o cara se acostumou a participar da piada, é decepcionante sentir-se excluído de algo que parece ser aberto a todos, desde que os critérios sejam preenchidos. No meu caso da piada, bastaria conhecer uma língua como o árabe. Em outros casos, como cruzar uma fronteira, por exemplo, bastaria não ser árabe.
Me parece muito injusto.
Quando as pessoas têm dificuldades para dar o sentido a esta piada, o limite da língua é ainda mais claro.
E quando o cara se acostumou a participar da piada, é decepcionante sentir-se excluído de algo que parece ser aberto a todos, desde que os critérios sejam preenchidos. No meu caso da piada, bastaria conhecer uma língua como o árabe. Em outros casos, como cruzar uma fronteira, por exemplo, bastaria não ser árabe.
Me parece muito injusto.
Impressiona-me, ... assim como interessa-me, sua perspectiva das coisas ordinárias da vida. Entenda-se por ordinário tudo aquilo que não interessa à maioria, afinal é notório que tudo que preenche os corações alheios é, e sempre foi, o bizarro e o absurdo (a que chamam de extraordinário). Não! Considero ordinário, hoje, o que for diferente do sórdido, ... e brilhante o que realmente for fora do escopo do ordinário.
ResponderExcluirEnfim, ... sem delongas, as prerrogativas que me fazem alguma parte dos meus olhos, no que refere a você, suscitam algo de há muito perdido, na juventude, ... em um saudosismo assumido, em que tentava eu, encontrar um amigo de misérias compartilhadas (desde jovem que assisto a miséria minha, em parte, e de todos (na outra parte), jogados aqui neste celeiro de carnes putrefatas a que chamam de terra, humanidade, purgatório, ambiente de preparação celeste/divina etc...)
É de interesse meu, seguir com isto que chamo de puerilidade juvenil, visto que isto (aqui) não passam de "impressões digitais" de uma tentativa mesquinha de não morrer só (assumo-a), ilhado e confinado em uma prisão de "ódio" e inconformação pela mais idiota das razões: não puder ser igual, ... uma rigidez de caráter que me torna, a cada década, ... mais rígido na certeza de desolamento pessoal.
Por aqui, deito minha saudações últimas de agora, ...
Sinceramente,
Michael Queiroz Francisco
michaelqueiroz@gmail.com