sábado, 3 de dezembro de 2011

É isto a Alemanha?

Ah, o velho continente! A Alemanha, berço de tantos grandes nomes, de importantes cientistas, artistas e políticos há séculos e séculos. As casinhas de telhado triangular no meio da cidade, as construções antigas, os ciclistas e motoristas respeitando seus lugares na rua, as pessoas esperando o sinal abrir para atravessas a rua, a ordem e o oposto da malemolência brasileira...

Sim, dá pra ver tudo isso e também que as coisas são bem mais complicadas do que parecem. Por algum motivo que ainda precisaria ser explicado, as pessoas parecem ser pouco mais do que seus estereótipos, o que faz da vida, em qualquer lugar, um pouco mais difícil do que naqueles planos em que a gente imagina como seriam as respostas que as pessoas dariam às nossas perguntas para poder pensar numa situação inteira sob nosso controle. Por isso, talvez, o mais impressionante - junto com alguns detalhes da engenharia doméstica - tenha sido descobrir que não existe um choque gigantesco assim que se chega em um novo lugar. Dia 24 estava no Brasil, dia 25 na Alemanha, perdi onze horas espremido no avião, três horas de vida no fuso horário e alguma curiosidade, mas o resto é a mesma coisa.



E, justamente por ser a mesma coisa, é tão difícil não amolecer num espaço tão curto de tempo. Como disse o Bob, é na primeira semana que você chega com um ritmo externo e sente um estranhamento gigantesco. Talvez seja mesmo o caso de tirar conclusões precipitadas, mesmo porque assim parece possível encontrar um chão no qual se apoiar e mesmo que elas sirvam apenas para ser destruídas aos poucos depois. Por isso, a primeira conclusão é a de que tudo é diferente em todo lugar e isso é a mesma coisa sempre. Assim, parece que as coisas na Alemanha são coisas conhecidas, como as coisas que são em todos os lugares para quem sabe o que são elas. O chá de hortelã, por exemplo, continua a ser o melhor chá do mundo.

Mas o impressionante é que isso também não é verdade. As coisas são diferentes ou, pelo menos, vão se tornar diferentes à medida em que elas assumirem seu lugar, que não é o de um ponto final, mas o de um começo no qual as especificidades delas também tem que ser descobertas. No fim das contas, a normalidade é a regra, mas é a sua especificidade que interessa descobrir, ainda que seja doloroso perceber que tudo começou de novo, que tantas coisas novas vão acontecer numa vida já tão velha. E pode ser que este seja o ponto central: às vezes a vida volta a te dar primeiras semanas, nas quais você não pode chegar em casa mau-humorado e conversar, xingar, ser grosseiro, jogar video-game, dar risadas fingidas até rir de verdade, essas coisas. A primeira semana é aquela onde você tem mesmo que chorar, que se impressionar, errar, insistir, brigar, perder o medo e a vergonha, e expressar isso tudo sem vergonha nenhuma para quem estava presente nas semanas anteriores a esta primeira. E apenas por coincidência isto acontece na Alemanha, afinal.

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