sábado, 3 de dezembro de 2011

O que é isto?

Após um empurrãozinho de quem sabe, está decidido: vou escrever um blog e fazer mais sucesso que o João Ubaldo Ribeiro. João, como se sabe, é um cara pretensioso que, tendo recebido uma bolsa do DAAD (pronuncia-se Dê A Dê), órgão alemão de financiamento de intercâmbios de estrangeiros, passou a escrever crônicas para jornais alemães que, ao fim e ao cabo, transformaram-se em um livro sobre um brasileiro em Berlim, ou algo que o valha. Resolvi, além disso, não cair na onda de dar moral à concorrência. João, esse cronista de quem falei, se quiser, que fale de mim. Também está decidido. Bye, bye João. Ou melhor, Auf wiedersehen.

As coisas, porém, começam um pouco piores para mim. Ainda que o talento seja enorme, falta-me a bolsa de que João dispôs. E Berlim também. Vender estórias de um brasileiro em Leipzig não parece um empreendimento fadado ao sucesso editorial, afinal. Mas é o que temos. No mais, José Ubaldo Ribeiro, acho que era esse o nome, poupou-me o trabalho de descrever com leveza e acidez os sofrimentos em um avião no qual os brancos de aparência alemã podem esticar suas pernas enquanto tomam champanhe e os outros têm o prazer de abraçar seus vizinhos, esmagá-los, roçar as pernas nas deles e, com isso, trazer aquele pedaço do Brasil - e da pele, dos cabelos e da saliva do vizinho - para a Alemanha, e tudo sem imposto. Quem quiser relatos de viagem que leia o seu livro. Aqui, graças à limpeza de terreno de nosso amigo aí de cima, coisas mais importantes podem ser tratadas, sempre de maneira esclarecedora, respondendo às perguntas necessárias e digitando do modo mais organizado possível as impressões e dúvidas que aparecerem. Este blog, começa, pois, fora do avião, já instalado na antiga Alemanha Oriental, em Leipzig.

Ao contrário de João Ribeiro Ubaldo, este tipo de mercenário das palavras, darei uma banana às editoras e contarei apenas com a crítica devastadora dos amigos - já que os vermes não podem roer impressões digitalizadas. E assim ainda evito participar da indústria cultural. Caconde é foda, não?

Como, aliás, é foda começar tudo de novo, em um lugar diferente.

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